terça-feira, 27 de dezembro de 2011


Um presente da deusa Ciência
De como uma imensidão de solos pobres e secos 
se transformou no celeiro do Brasil e do mundo
EVANILDO DA SILVEIRA
O cerrado deve muito à ciência. Foi ela que moldou seu presente e poderá garantir seu futuro. Graças ao trabalho de cientistas – melhorando espécies, modificando a terra e criando novos métodos de cultivo, por exemplo –, essa imensa savana de solos pobres e sujeita a secas se transformou numa das mais importantes áreas agrícolas do Brasil e do mundo. Do mesmo modo, são as pesquisas científicas de hoje que poderão tornar possível a transformação de sua enorme biodiversidade em riqueza para o país, na forma de novos medicamentos, cosméticos e outros produtos oriundos de substâncias extraídas de suas plantas e animais. E são elas que poderão, ainda, criar uma maneira de aproveitar todo o potencial da região, agropecuário ou natural, de forma sustentável, garantindo sua preservação.
Até algumas décadas atrás, o cerrado era visto como um ecossistema pobre e desinteressante, com uma vegetação raquítica e pouco diversa, de onde quase nada se poderia aproveitar. Com 207 milhões de hectares, o que representa cerca de 24% do território nacional, esse bioma é o segundo maior do Brasil – atrás apenas da Amazônia. Suas vastidões vazias começaram a ser ocupadas no século 18, com a mineração de ouro e pedras preciosas. Junto com essa atividade surgiram os primeiros povoados.
Esgotadas essas riquezas minerais, os habitantes da região tiveram de descobrir outra forma de ganhar a vida. A alternativa que vingou foi a pecuária extensiva, a principal atividade econômica daquelas paragens até praticamente o final da primeira metade do século passado. Com a construção de Brasília, na virada dos anos 1950 para os 60, começaram a surgir estradas e ferrovias, pelas quais chegaram os migrantes. Eles vinham atraídos pelas políticas agrícolas desenvolvimentistas do governo, que queria integrar aquele território ao restante do país. Assim foram criadas as condições para a expansão da agricultura comercial.
Foi então que a ciência começou a mostrar todo o seu peso no destino do cerrado. Graças a ela, a região foi incorporada ao processo produtivo da agropecuária nacional. Hoje, de sua área total, cerca de 139 milhões de hectares são agricultáveis. “Além disso, tecnologias recém-desenvolvidas para a recuperação de áreas degradadas, como a integração lavoura-pecuária-floresta, permitirão ao Brasil, nos próximos dez anos, destinar mais cerca de 10 milhões de hectares à produção de grãos, carne e madeira”, afirma o engenheiro agrônomo e pesquisador José Roberto Rodrigues Peres, hoje chefe de gabinete da presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Essa incorporação ocorrerá sem a derrubada de uma árvore sequer”, acrescenta ele.
O fato é que de nada serviria toda essa imensidão de terras sem o trabalho dos cientistas. Antes da intervenção deles, a baixa fertilidade natural da região e a distribuição irregular das chuvas eram fatores que limitavam seu uso para a agricultura e a pecuária. “O desenvolvimento de técnicas de manejo e conservação foi essencial para o uso racional desses solos”, diz Peres. “As pesquisas proporcionaram a descoberta de processos de adubação e calagem [aplicação de calcário] com rendimentos de máxima eficiência econômica e respeito ao meio ambiente.” Além disso, técnicas que tornaram possível o desenvolvimento mais profundo das raízes propiciaram melhor aproveitamento do estoque de água dos solos, importante para enfrentar os períodos de estiagem que ocorrem em plena estação chuvosa, os chamados veranicos. Leia mais...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011


Maréria minha publicada na edição impressa 190 - Dezembro 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Casa de plástico
Polímeros substituem tijolos de argila e dormentes de ferrovias
Evanildo da Silveira
© Eduardo Cesar
Descoberto em 1872, o policloreto de vinila, conhecido como PVC, começou a ser produzido industrialmente na década de 1920 nos Estados Unidos e na de 1930 na Europa. Feito a partir do sal de cozinha (cloreto de sódio) e de derivados de petróleo, hoje é um dos plásticos mais usados no mundo em tubos, conexões e tapetes de banheiro, brinquedos, bolsas de sangue e soro. Mais recentemente ele passou a ser usado para substituir tijolos e outros materiais. É o caso de uma tecnologia para construção de casas com paredes de PVC desenvolvida em parceria pela Braskem, Dupont e Global Housing, empresa brasileira com sede em Santa Catarina.
 Batizado de sistema construtivo em concreto PVC, ele emprega perfis ou módulos desse tipo de plástico encaixados uns nos outros e preenchidos com concreto. As vantagens são que a casa pode ficar até 20% mais barata, comparando-se com as de alvenaria, e é construída de forma mais rápida, levando oito dias para ficar pronta ante três meses de uma residência convencional de 40 metros quadrados (m2). Leia mais...



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Matéria minha publicada na edição 407,setembro/outubro de 2011, da revista Problemas Brasileiros.
A hora e a vez da inovação
Cresce no país a instalação de centros de pesquisa
e desenvolvimento de multinacionais
EVANILDO DA SILVEIRA
Maquete do Centro de Pesquisas Global, da GE,
a ser construído no Rio de Janeiro / Foto: Divulgação
Em 7 de junho foi divulgado o resultado da concorrência para ocupar os três últimos terrenos disponíveis para a construção de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As vencedoras foram as gigantes multinacionais Siemens, BG E&P e EMC Computer Systems, que em conjunto deverão empregar mais de mil cientistas em suas futuras instalações. Elas representam apenas três exemplos de um fenômeno que vem ocorrendo no Brasil em anos recentes: a implantação em território nacional de grandes laboratórios de empresas globais para a criação de novos produtos, serviços e inovações. Isso decorre principalmente da estabilidade política, da economia em crescimento, do mercado consumidor em expansão e da mão de obra qualificada – como mestres e doutores formados nas universidades brasileiras. O país tem muito a ganhar com isso, incluindo o avanço em seu desenvolvimento científico e tecnológico.
Entre as outras companhias estrangeiras que resolveram montar centros de pesquisa no Brasil ou ampliar os que já possuem aqui, podem ser citadas a IBM, a GE, a Saab, a Dell, a Telefônica e a Whirlpool, esta última dona das marcas Brastemp e Consul. Segundo dados da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SNDTI), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em 2010 foram investidos nada menos que R$ 14 bilhões na criação de laboratórios no país, valor que deverá subir para R$ 17 bilhões neste ano, um crescimento de 21%. “O Brasil vive um momento especial, de grande atração internacional, e passou a assumir recentemente a inovação como palavra-chave para o desenvolvimento sustentável”, diz Ronaldo Mota, titular da SNDTI. Leia mais...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Tecnologia

Matéria minha publicada na edição 187, de setembro de 2011, da revista Pesquisa Fapesp.

Agentes da separação
Solventes sustentáveis dissolvem celulose e têm uso amplo na indústria
Evanildo da Silveira

Para muitas pessoas a química é algo que pode ser perigoso. Na opinião popular ela está associada a alimentos industrializados que podem fazer mal, armas de destruição em massa ou poluição. Como reação a essa situação e levando-se em consideração os aspectos ambientais e de produção sustentável, a partir dos anos 1990 começou a se consolidar o conceito de “química verde”. Trata-se do incentivo ao uso de matéria-prima renovável e produtos biodegradáveis para substituir substâncias prejudiciais à saúde humana e ao ambiente. Na Universidade de São Paulo (USP), uma equipe liderada pelo professor Omar El Seoud, do Instituto de Química (IQ), se dedica a levar à frente esses princípios. Com apoio da FAPESP, eles trabalham numa linha de pesquisa que tem como objetivo desenvolver os chamados “solventes verdes”, que causam baixo impacto ambiental e são recicláveis.

São os líquidos iônicos compostos de íons, moléculas ou átomos que ganham ou perdem elétrons durante um processo e por isso possuem carga elétrica diferenciada. Eles constituem uma alternativa aos solventes tradicionais, derivados de petróleo, utilizados na produção de plásticos, tintas, adesivos e detergentes. Os líquidos iônicos proporcionam maior estabilidade química e térmica. Por isso são seguros, não são inflamáveis e não evaporam, o que diminui muito o risco de causar incêndios e explosões. Eles também são relativamente fáceis de obter. “A partir de um composto orgânico nitrogenado, o imidazol, e de elementos comuns, como cloro, bromo e iodo, é possível produzir 144 líquidos iônicos e um grande número de derivados, a maioria com potencial de aplicação”, diz Seoud. “Esse número é impressionante se for comparado à pequena quantidade dos solventes orgânicos voláteis (SOV) derivados do petróleo usados industrialmente.” Existem pelo menos 10 solventes de origem petrolífera produzidos no Brasil. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2010, a produção atingiu 2,4 milhões de metros cúbicos, um mercado que movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano. Ainda principiante no país, o mercado de solventes verdes já movimenta por ano cerca de US$ 3,5 bilhões no mundo com a produção de 5 milhões de toneladas, segundo apurou o jornal Brasil Econômico. A empresa de pesquisa de mercado norte-americana Global Industry Analysts anunciou no ano passado que os solventes verdes tiveram um crescimento médio anual de 4,2% na produção entre 2001 e 2010. Leia mais...

sábado, 5 de novembro de 2011

Matéria para a revista Problemas Brasileiros, edição 406, de set/out de 2011.

A fórmula da boa imagem
Profissionais do setor químico procuram
melhorar reputação de uma ciência mal-amada
EVANILDO DA SILVEIRA


Dentre todas as ciências, sem dúvida a química é a que tem a pior reputação. Para muitas pessoas, ela está associada a armas de destruição em massa, poluição, produtos perigosos ou a alimentos que fazem mal. Sem falar que é o terror dos estudantes, que veem nela uma matéria difícil, cheia de fórmulas e cálculos impossíveis de entender e resolver. Como se não bastasse, ainda perde em popularidade para os grandes projetos e descobertas nas áreas de física, biologia, medicina. Com o objetivo de melhorar a imagem dessa área do conhecimento e ressaltar seu lado “mocinho”, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês) estabeleceram 2011 como o Ano Internacional da Química (AIQ). As comemorações incluem uma série de eventos pelo mundo – no Brasil haverá seminários, exposições itinerantes e lançamentos de livros e outras obras.A realização do AIQ começou a ser articulada em 2006, durante uma reunião do Comitê Executivo da Iupac. Dois anos depois, a 63ª Assembleia Geral da ONU estabeleceu que a comemoração deveria ocorrer em 2011. Seu lançamento oficial, com o tema “Química para um Mundo Melhor”, ocorreu no dia 27 de janeiro deste ano, na sede da Unesco, em Paris. No Brasil, o AIQ foi lançado em 23 de março passado, na Academia Brasileira de Ciências (ABC),no Rio de Janeiro. Outros cerca de 60 países também terão uma extensa programação para marcar o AIQ. Os objetivos são semelhantes em todos eles. “A meta é conscientizar a população mundial sobre a importância da química em nossa vida, além de estimular o interesse entre os jovens por essa ciência, fundamental no desenvolvimento sustentável da humanidade”, explica Claudia Rezende, tesoureira da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e coordenadora do evento no Brasil. Leia mais...

terça-feira, 19 de julho de 2011

Na semana passada, de 11 a 15 de julho, cobri a 63ª Reunião Anual da SBPC para a própria SBPC.

O bullying além da escola

O bullying, uma forma de violência entre alunos, tem causas que vão além do ambiente escolar e está criando uma cultura do medo nos colégios. Essa foi uma das principais conclusões da mesa redonda Bullying: diferentes olhares, realizada ontem durante a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), evento que está ocorrendo nesta semana na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. Ao longo de mais de duas horas, o psicólogo clínico Josafá Moreira da Cunha e a mestre em educação especial Ana Carina Stelko-Pereira aprensentaram e discutiram vários aspectos do fenômeno.
Para Cunha, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o bullying está ligado às transformações pelas quais passou a escola nas últimas duas décadas. “O sistema educacional brasileiro cresceu muito nesse período”, disse. “Não deu tempo para as escolas treinar seus professores para lidar com a violência. Além disso, ela não conseguiu melhorar sua estrutura e ambiente físico nem investir na qualidade das relações.” Leia mais...
Na semana passada, de 11 a 15 de julho, cobri a 63ª Reunião Anual da SBPC para a própria SBPC.

Com um discurso contundente, Helena Nader
abre a 63ª Reunião Anual da SBPC

Um público de cerca de 2.000 pessoas assistiu ontem à noite, a abertura da 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até sexta-feira, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. Num discurso contundente, a presidente a entidade, Helena Nader, chamou a atenção para fatos “que estão por acontecer, ou que já estão acontecendo, e que poderão causar sérios transtornos ao nosso sistema de produção científica e tecnológica e implicar prejuízos ao País e sua população”. Entre eles, ela citou a ausência da comunidade científica nas discussões do novo código florestal, a lei que permite a contratação de professores sem pós-graduação para o ensino superior e o corte de verbas do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Entre outras autoridades, participaram ainda da cerimônia de abertura da reunião da SBPC, realizada no auditório do Centro de Cultura e Eventos da UFG, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), e o reitor da UFG, Edward Madureira Brasil. Como ocorre todos os anos, o evento também homenageou pesquisadores por suas contribuições à educação e ao conhecimento científico. Dessa vez, os homenageados foram a professora Amélia Hamburger, conselheira da SBPC, recentemente falecida, pela sua luta prol da democratização do País e pelos avanços da ciência brasileira, e o professor Jofre Marcondes de Rezende, pelas contribuições à UFG e à medicina do País. Leia mais...

domingo, 17 de julho de 2011

Outra matéria minha publicada numa edição especial da Superinteressante, de maio de 2011.
Começo e recomeçoPara os hindus, a história é um grande círculo,em que todo fim embute um novo tempoTEXTO EVANILDO DA SILVEIRA

No cristianismo e em outras religiões ocidentais, o tempo é linear. No hinduísmo, há uma concepção cíclica do tempo. Como em um círculo, a vida e o mundo nunca acabam de fato. “Em geral as concepções religiosas de origem védica sustentam a eternidade do mundo e do universo. E os finais, que existem, são apenas novos recomeços”, explica o professor Edgard Leite, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), especialista em religiões da Índia. “O ‘mito do eterno retorno’ é característico das tradições religiosas e filosóficas indianas, assim como de muitos sistemas antigos. Na Índia, tudo sempre recomeça. Por exemplo, o grande destruidor, o deus Shiva, é, ao mesmo tempo, um grande construtor.” Lei mais...
Outra matéria minha publicada numa edição especial da Superinteressante, de maio de 2011.

Começo e recomeço
Para os hindus, a história é um grande círculo,
em que todo fim embute um novo tempo
TEXTO EVANILDO DA SILVEIRA

No cristianismo e em outras religiões ocidentais, o tempo é linear. No hinduísmo, há uma concepção cíclica do tempo. Como em um círculo, a vida e o mundo nunca acabam de fato. “Em geral as concepções religiosas de origem védica sustentam a eternidade do mundo e do universo. E os finais, que existem, são apenas novos recomeços”, explica o professor Edgard Leite, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), especialista em
religiões da Índia. “O ‘mito do eterno retorno’ é característico das tradições religiosas e filosóficas indianas, assim como de muitos sistemas antigos. Na Índia, tudo sempre recomeça. Por exemplo, o grande destruidor, o deus Shiva, é, ao mesmo tempo, um grande construtor.”

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Matéria minha publicada numa edição especial da Superinteressante, de maio de 2011.
A fracassada profecia de Nostradamus
EVANILDO DA SILVEIRA
Para o vidente mais famoso da humanidade,
a Terceira Guerra Mundial chegaria em 1999

Se houve alguém que passou por este planeta e cujo nome é sinônimo de vidência, profecia e capacidade de prever o futuro, esse alguém é Nostradamus. Não há nenhum grande acontecimento histórico a partir de seu tempo que ele não tenha supostamente profetizado. Entre eles estão, por exemplo, o aparecimento de Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler, os dois primeiros anticristos – o terceiro ainda está por vir –, as bombas atômicas lançadas pelos americanos sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, a dissolução da União Soviética, os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e a próxima Guerra Mundial. Michel de Nostredame, conhecido por seu nome latinizado de Nostradamus, nasceu em Saint-Rémy-de-Provence em 14 de dezembro de 1503 e morreu em Salon-de-Provence, ambas localidades da França, em 2 de julho de 1566. Foi farmacêutico e médico que praticava a alquimia, como muitos de seus colegas da época, mas entrou para a posteridade graças a sua suposta capacidade de prever o futuro. Ganhou reconhecimento em vida, sendo convocado pela rainha da França, curiosa sobre a previsão da morte de seu marido. Seus feitos são citados às mancheias. Conta a lenda, por exemplo, que em certa ocasião ele viajava pela Itália quando cruzou com o monge Felice Peretti. Para assombro do religioso e dos que presenciaram a cena, Nostradamus teria se ajoelhado e dito: ajoelho diante de Vossa Santidade. Anos depois, em 1585, o monge tornou-se papa Sisto V. Leia mais...

sábado, 28 de maio de 2011

Matéria minha publicada numa edição especial da Superinteressante, de maio de 2011.
Terremotos, fogo do céu, pragas,
fome e cenas apavorantes na hora final
EVANILDO DA SILVEIRA
“Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no Reino e na constância em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. No dia do Senhor, entrei em êxtase, no Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, a qual dizia: ‘O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete igrejas’.” Assim começa um dos relatos mais fantásticos e terríveis da literatura universal: o Apocalipse, o último livro da Bíblia, escrito provavelmente por João, um dos quatro evangelistas – os outros são Mateus, Marcos e Lucas –, por volta de 95 d.C., na pequena ilha grega de Patmos, no mar Egeu.
As visões descritas pelo profeta são aterradoras. Um filme de terror tendo como tela de projeção o céu. Há personagens assustadores, como quatro cavaleiros espalhando fome, guerras e peste. Um deles, esverdeado, chamado “a Morte”, vinha acompanhado da “morada dos mortos”. E anjos, muitos anjos, alguns tocando trombetas, anunciando castigos e catástrofes. E trovões, clamores, relâmpagos e terremotos. E cenas apavorantes: “E caíram sobre a terra granizo e fogo misturados com sangue”; “uma grande montanha ardendo em chamas foi lançada no mar. A terça parte do mar transformou-se em sangue”; “e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha”.

Leia mais clicando aqui, depois e em seguida acolá.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Embalagem Inteligente

Matéria minha publicada na edição 183 - Maio de 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Cor nos fungos
Filme sensível avisa ao consumidor
deterioração dos alimentos

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Matéria minha publicada na edição 405, de maio/junho de 2011, da revista Problemas Brasileiros.
A burrice oficial que destrói a ciência
Entraves aduaneiros infernizam a vida
de pesquisadores e atrasam projetos
EVANILDO DA SILVEIRA
Na quarta-feira, dia 2 de março, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, anunciou algumas medidas para simplificar a importação de material de pesquisa. A principal delas é um selo adesivo, que identificará as caixas com produtos científicos que chegam ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para acelerar a liberação pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e demais órgãos fiscalizadores. Já não era sem tempo. Na opinião da quase totalidade dos pesquisadores que necessitam de insumos e equipamentos do exterior, a burocracia envolvida na compra deles é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento da ciência brasileira e, consequentemente, da economia do país. Além da montanha de papéis que têm de preencher, os cientistas se deparam com o despreparo dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Receita Federal e outros agentes aduaneiros, encarregados de receber e liberar o material. A maioria não conhece as especificidades dos produtos científicos e, na dúvida, não os liberam ou, pior, simplesmente os destroem. Sem falar na falta de espaços adequados nos portos e aeroportos para armazená-los até que passem pelos trâmites burocráticos. Leia mais...


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Bioquímica

Matéria minha publicada na edição 183, de maio de 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Barba-de-velho mede poluição
Espécie de bromélia é usada para captar metais pesados no ar

domingo, 15 de maio de 2011

Matéria minha publicada na edição 181, de março de 2011, da revista Pesquisa Fapesp:
Sorriso limpo
Avançam os estudos para uso de
LEDs contra bactérias e fungos
Evanildo da Silveira
© Eduardo Cesar
O uso de LEDs para destruir bactérias e fungos nocivos à saúde bucal poderá estar disponível no Brasil dentro de pouco tempo. Um estudo, que envolve uma série de instituições do país, liderado pelo físico Vanderlei Salvador Bagnato, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), está sendo finalizado em parceria com a empresa Gnatus, de Ribeirão Preto, produtora de equipamentos médicos e odontológicos. A equipe de Bagnato desenvolve desde 2009 estudos para criar e testar um tratamento de descontaminação bucal, usando a técnica chamada de fototerapia dinâmica (TFD ou PDT, do inglês photodynamic therapy). O mesmo procedimento já é experimentalmente usado para outros fins como em lesões em partes externas do corpo, no tratamento de doenças como câncer de pele e leishmaniose, além de queimaduras. Leia mais...

sábado, 14 de maio de 2011

Amazônia

Matéria minha publicada na edição 404, de março/abril de 2011, da revista Problemas Brasileiros:
Olhos digitais
Novas tecnologias revelam segredos e ampliam
controle sobre o norte do país
EVANILDO DA SILVEIRA
Arte PB
A copa cerrada das árvores, as nuvens quase permanentes, a floresta impenetrável e a imensidão e as longas distâncias sempre dificultaram o pleno conhecimento da Amazônia e de suas riquezas. Agora, no entanto, a situação começa a mudar, com a tecnologia ajudando a desvendar os segredos da floresta. Ela está sendo usada num projeto de cartografia destinado a mapear em detalhes o relevo, as riquezas minerais, os rios e até a altura das árvores de uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, um terço do total da região. Esse é somente um dos trabalhos coordenados pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), órgão civil que incorporou o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), idealizado na década de 1990 pelas forças armadas para monitorar o espaço aéreo da floresta amazônica. Criado em 1999, o Sipam entrou em operação em 2002 e desde então vem instalando computadores, telefones, fax e e-mail por satélite, plataformas de coleta de dados meteorológicos e ambientais, radares meteorológicos e de vigilância, sofisticadas antenas parabólicas e outros equipamentos de primeira geração não só em cidades, mas também em locais afastados e comunidades isoladas de toda a Amazônia Legal brasileira, que engloba uma área de 5,2 milhões de quilômetros quadrados, espalhados por nove estados. Esses equipamentos permitem a coleta de um conjunto variado de informações sobre a região. Leia mais...

terça-feira, 1 de março de 2011

Biotecnologia

Matéria minha publicada na edição nº 180, de fevereiro de 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Solução genética
Mosquitos transgênicos serão soltos em
Juazeiro, na Bahia, para combater a dengue
Evanildo da Silveira
© James Gathany / CDC
Para os animais, o ato sexual é o caminho para a perpetuação da espécie. Um objetivo primordial que está se invertendo – pelo menos para o Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. Por meio de manipulação genética, uma população de machos criados em laboratório recebeu um gene modificado que produz uma proteína que mata a prole do cruzamento com fêmeas normais existentes em qualquer ambiente. Essa estratégia pode levar à supressão de um grande número de indivíduos dessa espécie, reduzir a pulverização de inseticidas para eliminar os mosquitos e, consequentemente, diminuir a incidência da doença entre seres humanos.
A primeira liberação na natureza desses animais geneticamente modificados no Brasil foi aprovada em dezembro de 2010 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A linhagem transgênica do Aedes aegypti desenvolvida pela empresa britânica Oxford Insect Tecnologies (Oxitec) deverá ser liberada no município de Juazeiro, no estado da Bahia, a partir deste mês pela bióloga Margareth Capurro, do Instituto de Ciên­cias Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a empresa Moscamed Brasil, instalada na mesma cidade baiana. Leia mais...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Biotecnologia

Matéria minha publicada na edição impressa 179 - Janeiro 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Ferramenta genética
Identificados marcadores moleculares
de carne macia em gado nelore
Evanildo da Silveira

Gado canchim
Em breve não será mais necessário esperar o bife na mesa para saber se a carne é macia. Por meio de exames biotecnológicos com o uso de sangue, pelos e até com amostras do sêmen será possível prever se determinado animal da raça nelore, ainda bezerro de poucos meses, terá ou não uma carne tenra. A nova tecnologia usa marcadores moleculares, variações na sequên­cia de DNA que permitem diferenciar os indivíduos de uma espécie, para identificar os animais com predisposição genética para ter a carne mais macia. Desenvolvido por uma rede coordenada por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Pecuária Sudeste, em São Carlos, no interior paulista, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o trabalho resultou num pedido de patente internacional para o método de identificação de animais com esse potencial de qualidade. O nelore é responsável por cerca de 60% do rebanho nacional, que somou no final de 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 205 milhões de bovinos. O Brasil é o segundo rebanho mundial, atrás da Índia, e o segundo produtor de carne, logo depois dos Estados Unidos, com 6,6 milhões de toneladas produzidas em 2009. Desse total 14% foram exportados e, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos primeiros 10 meses de 2010, a exportação, apenas para a Europa rendeu US$ 548 milhões. Leia mais...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Matéria minha publicada na edição 403, de janeiro/fevereiro de 2011, da revista Problemas Brasileiros.
Vida subterrânea
Cavernas brasileiras escondem inúmeras riquezas
que ainda precisam de estudo e proteção
EVANILDO DA SILVEIRA
Foto: A. Perez-Gonzalez
Não é exagero dizer, para usar uma frase feita, que o planeta fervilha de vida. Raríssimos são os lugares estéreis na Terra. Organismos vivos – bactérias, principalmente – já foram encontrados em poças geladas na Antártida e em fendas no fundo dos oceanos, de onde a água jorra a 250 ºC (abaixo ainda, no entanto, do ponto de ebulição, por causa das altas pressões). Com as cavernas não é diferente. Apesar de seu interior escuro e pobre em alimento, nelas vivem milhares de espécies. No Brasil, aos poucos, a ciência começa a lançar luz sobre os animais que vivem nesses ecossistemas peculiares.
Trabalho para os pesquisadores não falta. O país tem hoje 5.203 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Essa, porém, é apenas uma pequena parte das que existem. Estima-se que o número total no território nacional possa chegar a 100 mil. Há cavidades subterrâneas de todos os tipos: grandes – a maior delas, a Toca da Boa Vista, em Campo Formoso, na Bahia, tem 107 mil metros de galerias –, pequenas, acidentadas, profundas, planas, secas ou com lagos e rios.
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